Como lidar com a romantização do empreendedorismo


Seja por tendência ou falta de opção, a boa da vez é empreender no que você sempre sonhou. Essa ideia seria linda e perfeita se o ato de empreender não aplicasse diversas obrigações, especificações e perfis que muitas vezes não são traçados, mapeados e podem virar futuras frustações.

O que ninguém diz por aí (porque ninguém quer ser portador de notícia "ruim") é sobre a treta de transformar sonho em trabalho. É preciso ter a consciência e separar o que de fato pode ser negócio e o que deve ser mantido como hobbie, seja por (falta de) demanda ou por preservar sua relação com aquela prática. Até porque ter um NEGÓCIO implica em se relacionar com metas, gráficos, estudos de mercado, mídias digitais, boletos, faturamento e nem sempre esses fatores estão atrelados à um emprego dos sonhos.

Veja bem, meu intuito aqui não é fazer você desistir do seu propósito e da sua marca ou muito menos te vender a ideia que empreendedor tem que trabalhar 20h por dia (até porque não concordo). Só tenho me incomodado muito ultimamente com o positivismo extremo das plataformas de apoio ao empreendedor, com muitas frases de efeito e pouco suporte pra quando o buraco está realmente mais embaixo. E falo isso do meu ponto de vista privilegiado de ter empreendido por opção e com uma rede de apoio relativamente grande, porém em contato com muitos que não podem contar com um time pra que a coisa vire.

A sensação que eu tenho é que, se o seu negócio não está dando certo, nunca te colocam como opção que "está tudo bem desistir". Você tem que trabalhar mais, tem que estudar mais ou tem que pivotar até não conseguir mais ou não reconhecer o negócio que está nas suas mãos. Então venho aqui em homenagem a todos os negócios que conheci nessa trajetória e que acabaram por algum motivo também para dizer: parabéns por saber a hora de parar, porque esse momento deve ser tão difícil (ou mais) quanto começar.

Por essas e outras resolvi fazer esse texto pra te ajudar a identificar o motivo pelo qual você quer empreender e se realmente faz sentido pra você agora. Veja esse espaço como livre de julgamentos e dê a você esse momento de reflexão. Pode ser que tudo só se comprove e você tenha ainda mais gás para o que vem por aí ou talvez seja o momento de sentar e refletir sobre algumas coisas.


Como saber se eu estou no caminho certo?

Assim como qualquer decisão na vida, nunca dá pra saber 100% se esse ou aquele são caminhos certos e errados a se tomar (o que é certo ou errado, afinal?). Mas temos termômetros e fatos que vão te ajudar a responder essa pergunta de forma mais assertiva. Separei algumas perguntas que faço todos os dias pra mim mesma e para a rede que trabalho e espero que te ajude no caminho:


01. Eu tenho o perfil empreendedor?

Quando falo de perfil, não quero dizer que tenha que ser algo nato, mas pode e deve ser estudado e é fruto/consequência da trajetória, muitas vezes. Ainda assim, não podemos esquecer que iniciativa, visão, decisão, firmeza, capacidade de organização e foco e uma pegada inovadora são algumas características que devem estar presentes no dia a dia do empreendedor. Enquanto o profissional com perfil mais técnico adora produzir e executar funções em um campo determinado e controlado, o profissional empreendedor transforma situações em oportunidades e cria seu próprio trabalho, além de novos métodos e novas demandas.

Se é fácil? Não, não é. Inclusive é preciso dizer que está tudo bem se o seu perfil for mais técnico e o planejamento das 9h às 18h com o VR na conta todo mês sejam realizadores pra você. No caso desse cenário nunca ter sido suficiente e você ser aquela pessoa que fica olhando pela janela do escritório, pensando nas mil possibilidades de coisas que poderia estar criando se não estivesse ali, talvez você já é empreendedor e não saiba.


02. Eu confio no meu taco e no meu produto?

Isso tem que ser uma dessas perguntas respondidas sem pensar. Não tem como um produto/serviço vingar se não acreditamos nele o suficiente. O que pode acontecer é o caso dele precisar de validação e por isso são super bem vindos testes de demandas e aperfeiçoamento do produto, fazendo com que a experiência traga essa confiança que você precisa para realmente virar essa chave.


03. Eu me planejei pra isso?

Se você está cogitando a ideia de “largar tudo para fazer o que ama”, pelo amor da sua saúde financeira, pare agora. Mais do que a grana para iniciar o negócio, é preciso um caixa razoável para você ter de backup para os primeiro meses. Levando em consideração que a maioria dos negócios no Brasil demoram 2 anos para obter lucro real e 30% deles fecham antes disso, é sempre bom ter uma reserva garantida, inclusive para reinvestir em uma possível mudança de caminho, se for o caso.


04. Eu sei qual meu objetivo e minhas expectativas?

Você tem muito claro aonde quer chegar com o seu negócio? O que espera que ele traga pra você? Qual estilo de vida você pretende manter? No ponto de vista de nutrir um negócio, é preciso colocar na balança que o começo normalmente exige uma dedicação integral e retorno financeiro mínimo, então muito naturalmente você precisará redefinir padrões sociais, viajar menos e ter menos regalias até que o negócio vire novamente (não é regra, tem sempre aquele 1% fora da curva, mas pessoalmente ainda não conheci). Além disso, é preciso estudar se o seu modelo de negócio de fato sustenta o padrão de vida que você quer chegar e se escala nesse nível. Ter um bom planejamento e projeções reais são a chave para diminuir possíveis frustrações e não criar expectativas desleais.


05. Eu sei qual é meu diferencial?

Você sabe por que você vai chamar atenção de uma galera que vai querer comprar de você e mais ninguém? Por que a sua marca é tão incrível? Quem é esse público que vai se identificar com ela? Qual problema você resolve? O que de fato você entrega?

Eu sei, são muitas perguntas, mas tê-las bem respondidas são, na minha opinião, metade do negócio andado (ou fracassado, caso de não saber a resposta). Hoje em dia (e já faz um tempo), temos que entregar muito mais que um produto de qualidade, mas um propósito, um valor agregado, um sentimento para quem consome. Se você deixar essa essência bem clara para você e para quem compra de você, o match é muito mais garantido.

06. Eu procrastino muito?

Uma das poucas frases que aprendi no ramo empreendedor e realmente gosto é que “feito é melhor que perfeito”. Muitas vezes um jeito de nos autossabotar (e já falei sobre isso nesse post aqui) é procrastinar o resultado final, achando que nunca está bom o suficiente ou que você nunca está pronta o suficiente. Essa atitude pode, na verdade, expressar uma insegurança gigantesca dentro de você e isso pode ser um alerta. Sempre bom entender se esse sentimento é natural do momento de transição ou se é fruto da falta de convicção no seu produto/serviço. A primeira opção, o tempo cuida. A segunda também tem jeito, mas vai exigir muito desapego, estudo e dedicação da sua parte. Vale aqui uma conversa interna (e externa, na sua terapia ou com outros empreendedores) para saber se está preparado pra isso ou não.


07. Eu estudei meu mercado?

Estudar o mercado que você vai atuar é bom e necessário por infinitos motivos. Além de entender o que já existe no seu ramo atualmente e quais são as lacunas que você pode atuar e se apropriar, há a necessidade de demonstrar que “você sabe do que está falando”. A sua galera vai ter muito mais convicção em consumir se você realmente entender do seu produto ou serviço. Ter foco e se demonstrar especialista no assunto te tornará uma referência e uma autoridade no seu mercado, o que diminuirá muito o atrito para venda em um longo prazo.


08. Eu tenho consciência que pode dar errado?

O ponto aqui não é ser negativa, mas é imprescindível contar com a possibilidade de que pode, sim, dar errado. O famoso “expectativa” e “realidade” pesa muito nessa questão, então antes de mais nada, ter uma visão do todo e conhecer suas limitações é muito importante. Se questionar até quando consegue trilhar esse caminho e qual é o seu limite para a empreitada te ajuda a saber a hora de parar, se for o caso.


E quando eu não tenho outra opção?

Os itens que citei acima fazem parte de um contexto aonde podemos escolher caminhos a seguir e temos tempo suficiente para planejar da forma “adequada”.

Se você resolveu ou está pensando em empreender por não ver outra opção e precisa agir imediatamente, a chave é escolher uma área de atuação que você tenha mais afinidade/conhecimento e enxergar um diferencial em potencial para estudar enquanto age.

O plano de negócio não é algo intocável que é feito um vez e seguido a risca para todo o sempre. Pelo contrário, o plano se adapta de acordo com as suas mudanças, as variações de mercado e as necessidades internas e externas. Sendo assim, não se desespere: não é impossível, mas é preciso muita orientação e olhos atentos para mudar o que está dando errado em tempo real. Acho que isso é o resumo da vida, né?


O que você achou desse texto-desabafo? Concorda com tudo? Discorda completamente? Divide comigo sua opinião e desabafe você também. :)

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